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CINE EXPO 2015
  • Capitão Falcão
  • Bobô
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  • Capitão Falcão (2014) de Mário Melo Costa

  • Bobô (2015) de Daniel Neves

  • "Cosmos" de André Szankowski

  • Variações de Casanova (2014) de Andre Szankowski

  • Amor Impossivel (2015) de Miguel Sales Lopes

  • Sunshine Superman (2015) de Vasco L. Nunes

William Sossai na IBC

IBC 2015

Texto e fotos: William Sossai

A MULHER VIRTUOSA

Pense numa criança feliz!

Sabe aquela sensação de quando éramos miúdos e íamos a um parque de diversões com roda gigante, montanha russa e comboio fantasma? Era tanta euforia que nem sabíamos por onde começar ou qual brinquedo repetir.

Pois bem, foi exatamente isso que senti dentro da International Broadcasting Convention, em Amsterdão.

A IBC é o maior evento da Europa destinado ao mercado de televisão e cinema digital. Para dar uma ideia dessa escala, em 2015 a IBC teve mais de 55 mil participantes de 170 países e cerca de 1600 dos principais fornecedores de tecnologia do mundo.

Agora, imagine o que é participar de um evento dessa magnitude onde é possível ter contacto com o que existe de mais avançado em termos de equipamentos para cinema? É absolutamente formidável entrar na IBC e logo de cara se deparar com o stand da ARRI, repleto de equipamentos inteiramente disponíveis para manusear e técnicos muito bem preparados para esclarecer qualquer tipo de dúvida. Sem contar com a emoção de poder observar o interior de uma objetiva Zeiss em corte longitudinal com todas as engrenagens e elementos ópticos à vista.

 

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Em 2015 os drones chamaram muita atenção de quem esteve à procura de novidades na IBC. Na parte exterior do evento foi montado uma grande Drone Zone, com uns 20 metros de altura, onde era possível avaliar o desempenho de cada modelo apresentado pelos diferentes fabricantes.

Os gimbals também estão em alta, haviam diferentes modelos disponíveis para testes. Porém, o curioso foi conhecer os novos suportes para os próprios gimbals, que são verdadeiros exoesqueletos planejados para suportar o peso do estabilizador com a câmera. Daí uma questão: como é que um equipamento desenvolvido para ser mais prático do que o steadycam acaba se convertendo num verdadeiro Robocop? 

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Provavelmente, quem for à IBC no próximo ano perceberá que tudo que estou contando agora com entusiasmo será coisa do passado. As grandes marcas já estão com novos lançamentos preparados e o mercado está ávido por mais novidades.

Tudo isto é muito sedutor mas, francamente, pode tirar o foco da questão que realmente faz sentido para quem vive da arte e para a arte. Como diria o rei Salomão “Enganosa é a graça e passageira a formosura, mas a mulher virtuosa será louvada”.

Mas que mulher é essa? Para mim, “A Leiteira” de Johannes Vermeer

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O extraordinário de visitar a terra de Anne Frank durante a IBC é poder viver o melhor de dois mundos, o da tecnologia e o da arte. Isso porque bem próximo ao centro de convenções, está o Rijksmuseum com quadros intemporais de pintores como Vermeer e Rembrandt. E ao contrário das câmeras de vídeo, que se tornam obsoletas a cada ano, as obras de arte do passado continuam a ser uma inspiração para o futuro da fotografia.