In Memoriam

  • TERESA FERREIRA

    1940-2023

    Ao longo da sua carreira nunca perdeu o interesse e a paixão pelo seu trabalho. Trabalhou em centenas de filmes e com tantos outros diretores de fotografia. Foi de uma devoção sem igual à fotografia de cada filme que etalonava.

    A Teresa era uma fervorosa profissional de grande competência na análise do negativo e nos tons e tonalidades de cor a aplicar a cada cena. O diretor de fotografia daria a instrução, mas a experiência e talento da Teresa traziam uma mais-valia à imagem. A verdade que se diga, só mesmo ela e colegas da área conseguiam interpretar aquela imagem que a hazeltine oferecia. Não tem absolutamente nada a ver com o sistema de trabalho que hoje existe para a correção de cor.

    É raro e difícil encontrar uma personalidade que seja ao mesmo tempo tão devota à sua profissão e tão dedicada ao trabalho das imagens do diretor de fotografia como o foi Teresa Ferreira ao longo dos seus quase, quase 50 anos de carreira. Nunca a vimos vacilar.

    O contributo de Teresa Ferreira para a imagem dos diretores de fotografia é imensurável e fica na história da direção de fotografia como uma profissional exigente e de uma mulher com verdadeira paixão pela cor.
    
Há uma pequena vídeo biografia sobre a Teresa Ferreira que se pode ver neste link.

    Carreira


    Teresa Ferreira nasceu em Lisboa em 1940.
    Iniciou a sua carreira profissional, ainda durante o curso na Escola de Artes decorativas António Arroio em 1958 integrando o Laboratório da Tobis.
    Mas em 1960 foi contactada pelo engenheiro Gil para que fizesse parte de um novo projeto de Laboratório para Portugal, mais bem equipado que então a Tobis. Aceitou o desafio de integrar a Ulysseia Filme. Facto esse, que lhe permitiu estar próxima do cinema novo português que desponta nos anos sessenta.

    Na formação específica da sua área faz dois estágios ao estrangeiro. Em Dassonville, Bruxelas em 1961 e no laboratório Eclair em Paris 1967.
    
Em 1979, por causa da falta de trabalho, motivado pelo período difícil que a Ulysseia Filme estava a atravessar, muda de novo para a Tobis. Já neste seu novo emprego, com o objetivo de enriquecer os seus conhecimentos, vai estagiar para o laboratório Telecipro em Paris 1980 e visita algumas fábricas de equipamento
    Etalonadora por opção, Teresa Ferreira completou 48 anos de carreira dedicada ao cinema e às fitas portuguesas. Dezenas e dezenas de diretores de fotografia de várias gerações com ela partilharam sombra e luz, cores e planos na execução da cópia zero.

    Felizmente quer a Associação de Imagem (2006) com o prémio honorário e a Academia Portuguesa de Cinema, (2017) com o prémio Bárbara Virgínia, prestaram-lhe em devido tempo, as homenagens que tanto mereceu.

  • ALBERTO PIMENTA

    1957-2020
    Colorista

    O colorista Alberto Pimenta teve um papel crucial e relevante para os diretores de fotografia numa época de transição tecnológica que apanhou todos de surpresa.

    Alberto Pimenta trouxe a sua enorme experiência técnica que obteve no período que esteve na RTP entre 1980 a 1992 na função de operador de telecinema. Nessa época utilizava-se muito o formato de 16mm para programas especiais e mesmo para notícias sendo depois gradualmente substituído pela betacam.

    Em 1992 sai da RTP para ingressar num outro projeto inovador que foi da primeira casa de pós-produção do país a «A Casa das Máquinas» em que tinha como sócios fundadores Lucília Nunes, Paulo Trancoso e João Rapasote. Poucos anos depois a empresa evolui, sendo fundida com outra a Alturas Vídeo fazendo assim nascer o Centro de Edição Especial CEE.

    Quase no início deste século por volta de 1999 nasce o laboratório de negativo Light Film. Era o segundo laboratório e o primeiro inteiramente de capitais privados, porque até ali só existia o laboratório público a Tobis Portuguesa.

    A montagem do laboratório e a conjugação com a pós-produção de imagem, nomeadamente o telecinema e a correção de cor eram necessidades prementes da evolução que o mercado tinha tomado desde a introdução do digital na pós-produção de imagem e a Tobis na altura não estava à altura de dar resposta. Com a implementação do novo laboratório surge no 2º andar do edifício as máquinas de telecinema Ursa Diamond da Rank Cintel e com o corretor de cor clássico Davinci e uma segunda sala com C-Reality também da Rank Cintel e com o corretor de cor DaVinci 2K Plus.

    É nos anos subsequentes que Alberto Pimenta começa a ser fundamental para os diretores de fotografia. Até ali os diretores de fotografia estavam circunscritos à cópia analógica enquanto a partir daquele momento podiam contar com um poderosa ferramenta de correção de cor que só o Alberto sabia manipular de forma artística e técnica naqueles primeiros anos.

    Os conhecimentos adquiridos pela sua passagem na RTP e a montagem das outras empresas anteriores fizeram dele um expert na técnica e na manipulação da imagem vídeo aliado a uma sensibilidade espantosa no domínio e na manipulação das cores.

    Os diretores de fotografia que com ele trabalharam tinham apenas afirmações de elogio pelos resultados obtidos. Muitos como o Carlos Lopes disse numa entrevista que deu na longínqua revista «Imagem cinematográfica», citando de cor - obrigado Alberto por tudo o que tens dado de bom ao meu trabalho – não menos eloquente de Luís Branquinho que afirmou que «quantas vezes não salvou as minhas asneiras e quantas vezes deu realce à minha fotografia», O João Lança Morais ainda vai mais longe e «cada vez que entrava na sala do Alberto ia com bichinhos na barriga. Na expectativa do que iria ver, se a exposição estava certa, se não tinha borrado a pintura… era como ir ao dentista arrancar um dente, era o exame final.». Foram momentos que muitos dos diretores de fotografia partilharam com o Alberto Pimenta que foi na era do digital o pioneiro colorista que deu brilho às imagens.

    O Alberto afirma que ser colorista «é uma profissão muito interessante. Tem de dar a sua visão e gosto ao trabalho numa extensão do diretor de fotografia.» e acrescenta «Nutro pelos diretores de fotografia uma admiração muito especial e uma aproximação muito grande. É a imagem que nos une. Fiz inúmeros testes com DF’s e experimentamos muita coisa. Aprendi muito com eles e por isso tenho muito respeito. É uma classe de pessoas extraordinárias e tenho muito orgulho em trabalhar com eles.»

    Alberto Pimenta veio neste período em que os diretores de fotografia pouco ou nada sabiam de correção de cor no formato digital e foi ele que com a sua perícia técnica, bom gosto pessoal e com uma capacidade nata de manipular as cores que deu um passo em frente auxiliando os diretores de fotografia a obterem as suas imagens.

    É neste espírito de gratidão e amizade que os DF’s da Associação de Imagem prestam uma merecida homenagem ao Alberto Pimenta.

    Fevereiro de 2020

    Alberto Pimenta faleceu vítima de doença prolongada na noite que foi homenageado pela aip. 6 de março de 2020.

    Alberto Pimenta à direita a falar com o realizador João Carlos Pelotte na sala de correção de cor da Light Film

        

  • ANTÓNIO ESCUDEIRO

    1933-2018
    Director de Fotografia e Realizador

    António Escudeiro aip o nosso membro honorário foi um cineasta que deu um importante contributo à cinematografia portuguesa como  divulgar a cultura portuguesa que era muito do sei interesse. Assinou dezenas e dezenas de obras como diretor de fotografia e realizador. Executou imensos trabalhos para a RTP.

    Ver filmografia aqui https://www.imdb.com/name/nm0260479 

    Destacou-se na direçao de fotografia onde assinou por exemplo os filmes icónicos «Kilas o Mau da Fita» e «Os Demónos de Alcácer Quibir» ambos realizados por Fonseca e Costa e entre tantos também se destaca o filme  «Matar Saudades» de Fernando Lopes para além de ter assinado outras obras com outros realizadores.

    Partiu hoje (21 Setembro de 2018) com 85 anos.

     

  • JOSÉ LUIS CARVALHOSA aip

    1947-2017
    Director de Fotografia

    O percurso de JoséLuís Carvalhosa como diretor de fotografia caracterizou-se pela sua diversidade, sendo que fotografou longas de ficção, documentários e essencialmente séries de televisão para a RTP de onde se podem destacar «Duarte & Companhia», «Melhor éImpossível», «Sai da Minha Vida», «Alentejo Sem Lei», «Crime àPortuguesa»entre outros. Para além das séries Carvalhosa foi ao longo dos anos entre 1988 e 1995 o principal operador de câmara do Cinemagazine para a RTP.

    Há também uma grande incidência do seu trabalho na área do documentário tendo assinado mais de cinquenta títulos desde que se tornou operador de câmara nesse ano distante de 1967 quando assina a fotografia de uma curta-metragem «O Peixinho Vermelho».

    José Luís Carvalhosa nasce em 1947 em Lisboa. Foi um alfacinha de gema. Frequentou a escola secundária das artes a António Arroio onde aprendeu desenho de letra. Não foi na António Arroio que aprendeu fotografia ou a usar a câmara de filmar. Nessa época ainda não havia curso de cinema na escola, mas foi o facto de ter trabalhado na produtora de Perdigão Queiroga que lhe permitiu dar os primeiros passos na imagem e que depois se solidificou como foi mobilizado para o exército que sendo integrado nos Serviços Cartográficos do Exército em 1968. José Luís Carvalhosa foi militar na guerra do Ultramar entre 1968 e 1972 tendo estado em Angola e na Guiné como repórter de guerra.

    Nos Serviços Cartográficos do Exército conheceu cineastas como Fernando Matos Silva, JoséNascimento, Elso Roque, João Abel Aboim que também se viriam a tornar figuras importantes no cinema português.

    Depois de prestado o serviço militar Carvalhosa regressa àprodutora de Perdigão Queiroga. Tinha-se comprometido a tal. Ficou ainda algum tempo atéque um dia teve a oportunidade de um trabalho e saiu da empresa. José Luís Carvalhosa recorda a frase que Perdigão Queiroga no dia da despedida. «Os tetos da minha casa são muito baixos para ti».

    Em 1974 dá-se a revolução do 25 de Abril que viria a mudar tudo em Portugal. A indústria a própria RTP, e todo o processo de produção se alterou. Foi aíque trabalhou em várias cooperativas como a Cineequipa onde havia uma câmara Cameflex vendida a prestações pelo Sr. Peixoto que representava a ARRIFLEX a ZEISS e outras marcar para Portugal. A cooperativa de produção de filmes a Cinequanon onde conheceu António de Macedo e fotografou a curta-metragem «A Bicha de Sete Cabeças»com quem viria depois a colaborar em diversos filmes com destaque para dois deles «Os Emissários de Khalom»e «A Maldição de Marialva». Realizador que muito admirou pela forma metódica e preparada com que surgia no plateau com todo o planeamento de filmagens preparado. 

    Ao longo dos anos 80 e 90 através da produtora «Fábrica de Imagens»onde mais tempo trabalhou executou dezenas e dezenas de trabalhos, desde o documentário a série de televisão e ficção em longa e curta-metragem.»

     

  • VASCO LUCAS NUNES

    1975-2016
    Director de Fotografia

    Vasco Nunes começou a sua carreira profissional na estação de televisão SIC nos anos 90, tendo-se fixado mais tarde na Califórnia, depois de vários anos a viver em cidades como Madrid, Atlanta e Munique. Licenciou-se no American Film Institute Conservatory em 2003.
    Produziu e editou vários trabalhos jornalisticos para a CNN e a MSNBC, trabalhou em publicidade, marcou presença com várias obras em festivais do mundo inteiro.
    "Dig!" (2004), "Recycle" (2004) que também realizou, "We Live in Public" (2009) ou "Sunshine Superman" (2014) são alguns dos seus mais conhecidos trabalhos como produtor e director de fotografia. Com "Dig!" venceu o Grande Prémio de Documentário do Festival de Sundance, tendo recebido ainda várias distinções no mundo inteiro ao longo da sua carreira, incluindo um Peabody Award nos Estados Unidos. Três dos projectos cinematográficos em que esteve incluido fazem parte da colecção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.

     

  • VITOR NOBRE

    1963-2008
    Assistente de Câmara

    Vítor Nobre foi um dos fundadores da associação de imagem. Frequentou a Escola Superior de Teatro e Cinema terminando o curso e simultaneamente iniciou a sua carreira de assistente de imagem em 1988. Foi também fotógrafo de cena em diversos filmes. Faleceu vítima de doença prolongada.

  • MANUEL COSTA E SILVA

    1938-1999
    Director de Fotografia

    Concluiu em Portugal o ensino secundário e depois foi para a Austrália (1957) onde frequentou um curso de engenharia mecânica. Mudou-se para Paris em 1959, inscrevendo-se como aluno na escola oficial de cinema, o IDHEC. Obteve uma bolsa do Fundo de Cinema – organismo criado pelo Estado Novo, destinado a financiar o cinema português – o que lhe permitiu prosseguir os estudos em França.

    Inicia a actividade profissional no cinema como operador de câmara, fazendo vários trabalhos de reportagem. Prossegue a sua actividade profissional como assistente de imagem e torna-se depois director de fotografia. Começa como operador de câmara, na reportagem. Seguidamente trabalha como primeiro assistente de imagem e mais tarde como director de fotografia. Entre 1963 e 1964 é assistente de realização em três filmes realizados na Suécia. De volta a Portugal, trabalha nas empresas Tobis Portuguesa, Média Filmes, Unifilme e na cooperativa Centro Português de Cinema, sendo um dos seus fundadores. Escreve artigos (1962-1965) para revistas especializadas como Filme, Celulóide, Plano e para a revista sueca Chaplin. Desenvolve também a sua actividade profissional como assistente de produção, assistente de realização, director de produção e como produtor executivo.

    É bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em 1967 para fazer uma visita de estudo aos E.U.A. a fim de adquirir conhecimentos sobre técnicas de cinema e visitar estúdios e laboratórios. Entre 1969 e  1974 dirige a Secção de Cinema e os Serviços de Produção do Instituto de Tecnologia Educativa. Integra a direcção do Festival Internacional de Cinema de Tróia (1985-86) e lecciona como professor de fotografia no Conservatório Nacional (Escola Superior de Teatro e Cinema). Durante vários anos é responsável pelos Encontros Internacionais do Cinema Documental, no Centro Cultural da Malaposta.

     

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